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Celine Imbert


    "... quem ama sem amor não merece os Reinos dos Céus..."

                           Carlos  Drummond de Andrade


 Assim é Céline Imbert: merece os Reinos dos Céus.

Céline atravessa o Tempo vivendo, apaixonadamente, a Vida

O viver incansável na busca da perfeição

Humaniza e universaliza seus personagens nesta procura incessante.

Críticos registram: quem a assiste jamais a esquece.

Mulher artista guerreira que perscruta novos caminhos.

Quebra tabus com seu tom e estilo característicos.

Vôos precisos de uma estrela maior.


Em seus 22 anos de carreira, Céline coleciona várias récitas e vários personagens.

As críticas que recebe da imprensa são um registro de que quem a assiste jamais a esquece. O impacto de seu talento fez com que se apaixonassem por ela e rasgassem o verbo sobre “uma voz de ouro”, “cantora com completo controle de suas qualidades cênicas vocais”, “excelente”, “vocalmente esplêndida e cenicamente selvagem”, “é a maior cantora lírica”, “vôo preciso de uma estrela maior”, “o triunfo de Céline Imbert”, “concerto revela nova diva wagneriana”, “Céline mostra como fazer ópera brasileira”, “Céline domina Ravel com maturidade”, “fulgurante a arte de Céline”, “the intelligent and lush singing of a talented young Brazilian soprano”, “but God, what a voice”, “the febrile acting of Céline Imbert”,  “glorious voices, singing, acting, deliver opera delights”, “Imbert, a dramatic soprano, follows a long listo f interpreters of the passionate Carmencita, stretching from Emma Calvito and Maria Callas”, “Céline, ídolo popular na canção lírica”, “a montagem de Don Giovanni confirma Céline Imbert como a prima dona do país”.


A instigante avalanche de incentivo proveniente dos críticos e a aposta profética de que ela teria lugar especial na cultura do país (“o sucesso é o destino dessa cantora lírica”), tornou-se realidade pelos papéis que desempenha, pela consagração através dos prêmios e pelo reconhecimento de sua carreira, que a fez tornar-se comendadora do país, título obtido pela “Ordem do Mérito Cultural” do Ministério da Cultura e do Presidente da República.


A carreira de Céline é longe de ser óbvia. É uma história de que o talento foi tomando proporção tamanha que a psicóloga formada, professora primária, militante em Moçambique e a moça que cresceu em Cruzeiro (interior de São Paulo) foram açambarcadas pelo destino da voz que tomou vida e encarnou-se na diva paulistana.


Foram dois marcos no início da carreira: o “Prêmio Eldorado de Música” e a ópera “Carmen”. A história do canto lírico recente confunde-se com a de Céline. Ela foi a primeira cantora finalista que participou num território exclusivo de instrumentistas do Premio Eldorado. Foi lá que surgiram seus primeiros fãs e uma abertura a este universo fechado do canto lírico.


O convite do Rio de Janeiro para atuar no elenco brasileiro de “Carmen”, veio em seguida. O elenco estrangeiro, invariavelmente, ofusca o tupiniquim. São as regras do jogo. A história desta vez não se confirmou. A mulher que apostara tentar uma vida artística a despeito de sua carreira de professora primária, triunfou no papel sensual e glorioso de “Carmen”. Longe de imaginar o acolhimento do público e da crítica, a humilde Céline sentiu, pela primeira vez, o gosto da vitória. Foi comparada com Isola Jones e creditada como a melhor!


A Carmen a levou para os Estados Unidos e onde a crítica não a poupou de elogios. O “What a voice!”  é de lá. Foi comparada a Maria Callas e definida como cantora com interpretação febril, inteligente e gloriosa.


De 1987 para cá, Céline atuou de forma marcante nas óperas e em vários concertos. Sua voz deu vida a personagens, inclusive de óperas brasileiras, algumas inéditas. Construiu uma carreira notável, difundindo e impulsionando o canto lírico do nosso país.


Convidada pela Orquestra Jazz Sinfônica, juntamente com Na Ozzetti, Mônica Salmaso, Jane Duboc, Vania Bastos, Tetê Espíndola a participar do show e da gravação ao vivo de canções de Vinícius de Morais e Tom Jobim, a ousada cantora encantou. Em seguida aceitou o convite do pianista Marcelo Ghelfi e em turnê pelo estado de São Paulo apresentaram-se para o lançamento do CD “Vinícius sem mais saudade”, gravado pela CPC-UMES.


Sua carreira foi ampliada por convites inusitados. Participou de “Elas Cantam Roberto Carlos” no Theatro Municipal de São Paulo com um elenco grandioso e representativo de cantoras da MPB (Ivete Sangalo, Marina Lima, Wanderléia, Alcione, Daniela Mercury, Ana Carolina, Zizi Possi, entre outras). Também em “Orfeu da Conceição” no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, juntamente com Leila Pinheiro, Nana Caymmi, Emílio Santiago, Milton Gonçalves, Paulo Goulart, Beth Faria, Zezé Motta, a crítica referiu-se à sua performance dizendo que “ela quase nos fez esquecer Elizeth Cardoso”. Cantou Milton Nascimento com o pianista César Camargo Mariano em evento na Sala São Paulo.


A busca da ressonância dos sons na alma humana através de sua voz continua permeando os objetivos profundos de Céline Imbert e consequentemente de sua carreira. A emoção, a interpretação, as nuances do instrumento vocal e sua dimensão na reverberação do canto, do sentido da palavra, da criação de um personagem numa simples canção, suas várias leituras de significado intrigam, desafiam e dão forma a esta excelente intérprete de melodias inesquecíveis.


O mais instigante na carreira de Céline Imbert é a busca constante na ultrapassagem de limites. São traços da busca pela Liberdade da Criação e Expressão.

O trânsito simbólico do Belo é dado pela marca do repertório: de Vinicius a Ravel, de Milton Nascimento a Wagner.

A mutação, a transitoriedade pela paixão e perfeição.

Céline optou por essa ousadia apaixonadamente iluminada.



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 Texto de Jeanne de Castro.